Legislativos correm o risco de perder grandes talentos profissionais
Legislativos correm o risco de perder grandes talentos profissionais, diz especialista
Legislativos correm o risco de perder grandes talentos profissionais, diz especialista
Sempre presente nos seminários e congressos promovidos tanto pela Abrascam (Associação Brasileira de Servidores de Câmaras Municipais) quanto pela Ascam-Pr (Associação de Servidores de Câmaras Municipais do Paraná), o advogado e diretor da Escola de Administração Pública e do Instituto de Pró- Eficiência de Consultoria Organizacional, André L Barbi de Souza abordou com brilhantismo o tema “Administração de Recursos Humanos” durante a realização do XV Congresso da Ascam-Pr, que aconteceu, entre os dias 17 e 19/10, na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu.
Segundo Barbi, “é um privilegio poder trabalhar junto a Abrascam e Ascam devido a função social de ambas. Como também poder propor situações para reflexão de como podemos evoluir enquanto instituição. Isso é a confirmação da democracia que acontece nos municípios, pois é ali que convivemos com quem decide nosso dia-a-dia, tanto na área social quanto como indivíduos. No município que temos a possibilidade de cobrar mais. Portanto, Poder Legislativo e servidores são valores fundamentais neste momento em que estamos vivendo”, disse.
Reflexão
Para Barbi, partindo da Constituição de 88 que podemos fazer uma reflexão evolutiva das câmaras, pois o prefeito representa o município enquanto os legislativos representam a sociedade. Daí a necessidade das casas de leis se revisarem, pois passaram a ter um poder que antes não tinham. “Antes de 88 tínhamos servidores burocrata administrativos fazendo o mínimo do que deveria ser feito numa câmara também mínima”, afirmou.
Segundo o especialista para reverter essa situação foi necessário, e ainda é, que os legislativos olhem para si mesmo para poderem se reorganizar no sentido de atender os anseios da sociedade. E, um fato que deu visibilidade a essa nova necessidade, do ponto de vista funcional e organizacional, foi quando o Supremo Tribunal Eleitoral decidiu pela diminuição do número de vereadores. Do ponto de vista técnico não percebemos nenhuma reação da sociedade contra aquela decisão, que na pratica diminuiu a democracia. “Uma prova de que ainda as câmaras municipais não conseguiram, na sua plenitude, se mostrar para a sociedade como ela é importante para a sua cidadania. Pois, tudo que se decide no município passa pela câmara, e não estamos conseguindo mostrar o resultado do que produzimos. Quando as casas de leis se prepararam da melhor maneira possível é que estes canais se materializam”, afirmou o especialista.
Dentro deste contexto, pela ótica do especialista, só agora os legislativos estão entendendo a necessidade da capacitação dos servidores do núcleo administrativo, que representam a confirmação das instituições, e que dão garantias ao processo de governabilidade.
Barbi ratificou a importância de quebrarmos paradigmas, pensando mais nas pessoas e menos nos cargos. Citou, ainda, a implantação do sistema de recompensa, onde quem trabalha mais ganha mais, como alavancagem para a capacitação. “Hoje temos uma subutilização de servidores sem nenhuma perspectiva. E, o risco que corremos é a perda de grandes talentos profissionais, senão olharmos diferente, revendo a forma que pensamos quanto a legislação do vínculo com o servidor. A matriz não pode mais ser o cargo e sim as pessoas. Precisamos mudar o eixo”, disse.
Estágio probatório
“Habilidade. Conhecimento. Atitude. São ferramentas essenciais da chamada competência. Não se pode fazer avaliação de desempenho para fazer terrorismo. Avaliar é uma ciência que exige métodos e sistemas. Não se faz avaliação a partir do que o chefe acha da pessoa. Hoje, o estágio probatório não é eficiente, pois não orienta e o avaliada não conhece as metas que são utilizadas. Na grande maioria são feitas as escondidas”, disse Barbi, lembrando que “de nada adianta fazer concursos para trazer pessoas novas para estruturas envelhecidas. O tempo das pessoas não é igual ao tempo das leis. Por isso, a necessidade de revisá-las. São situações novas e a câmara que não se reciclar na área de recursos humanos, como novo paradigma da Carta Magna, corre o risco de retroceder seu desempenho há década de 70, com seu enfraquecimento enquanto instituição”.
Segundo o especialista, este é um desafio da atual década na administração de recursos humanos. E, a perspectiva dos próximos anos é de uma exigência ainda maior em relação as pessoas, como pensá-las e valorizá-las.
“As câmaras tem a competência para definir qual a valorização que quer dar ao seu servidor. A moda deveria ser a avaliação do desempenho da instituição e não dos seus servidores. O legislativo como um todo tem que ser eficiente, caso contrário o resultado será dispersado. Se a câmara não pensar a câmara, ninguém vai fazer dela uma instituição”, concluiu Barbi, lembrando que, é nesses encontros que temos a oportunidade de reflexão. “Precisamos decidir se queremos ser igual ao cargo que ocupamos ou ser muito mais. Quando os servidores se movimentarem dentro deste cenário, melhores serão suas perspectivas. Precisamos ser propositivos”, finalizou.
AUTORA: Magali Antunes






